Novas gravações divulgadas ampliam questionamentos sobre o uso político da estatal; governador segue sem se manifestar
(07/01/26)
A divulgação de mais áudios envolvendo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) acrescenta novos elementos a um caso que vem se agravando nas últimas semanas. Essas novas gravações vazadas trazem relatos de cobrança por cargos, expectativa de retorno político e declarações de tom ameaçador, o que, segundo o Líder da Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Arilson Chiorato (PT), exige investigação rigorosa e explicações públicas do governador Ratinho Jr. (PSD).
“Os áudios continuam surgindo, o conteúdo se torna mais grave, e até agora nenhuma palavra do governador. Queremos explicações”, afirmou Arilson, que também preside o PT no Paraná.
O conteúdo mais recente divulgado na noite de terça-feira (6) apresenta falas atribuídas a uma pessoa ligada ao contexto político-administrativo do Estado. No áudio, há menções a valores gastos em campanhas eleitorais passadas, acompanhadas de frustração pela ausência de apoio político posterior.
O interlocutor sugere que esse apoio deveria ter resultado em contrapartidas institucionais, como nomeações ou cargos, inclusive com referência à possibilidade de atuação como assessor parlamentar. Em outro trecho, há declarações que indicam perda de espaço político após o afastamento de funções públicas.
Na avaliação do deputado Arilson, o áudio aponta para uma relação que precisa ser esclarecida. “O conteúdo sugere uma percepção de troca política. Cabe às autoridades apurar se isso ocorreu e em que termos”, afirmou.
Declarações de tom ameaçador ampliam a gravidade do caso
Outro ponto sensível do áudio é o tom adotado em parte das declarações, com referências a possíveis prejuízos políticos a autoridades públicas e à existência de supostas provas capazes de provocar consequências institucionais, como a perda de mandato.
Para o Líder da Oposição, esse aspecto eleva o grau de preocupação. “Quando surgem falas com conteúdo intimidatório, a apuração deixa de ser opcional e passa a ser obrigatória”, destacou Arilson.
O deputado Arilson reforça que não há acusações conclusivas. “Não fazemos julgamentos. Defendemos investigação técnica, jurídica e transparente”, disse.
Sequência de áudios
Desde antes do Natal, diferentes áudios vêm sendo divulgados, cada um acrescentando novos elementos ao caso envolvendo a Sanepar. As primeiras gravações trouxeram indícios de possíveis irregularidades eleitorais e suspeitas de uso indevido da estrutura da estatal.
Na sequência, outros materiais passaram a detalhar valores, contextos políticos e disputas internas, além de relatos que sugerem pressão por cargos e permanência em funções estratégicas. As gravações mais recentes acrescentam declarações de tom mais agressivo, ampliando a repercussão política.
De acordo com o deputado Arilson, o conjunto do material aponta para uma progressão que não pode ser ignorada. “Não se trata de um episódio isolado. São vários áudios, divulgados ao longo das últimas semanas”, afirmou.
Silêncio do governador Ratinho Jr.
Apesar da divulgação sucessiva de mais áudios e da repercussão crescente do caso, o governador Ratinho Jr. ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo mais recente.
“O governador precisa vir a público e explicar o que está acontecendo na Sanepar. Enquanto surgem mais áudios, o governo se cala”, disse o Líder da Oposição.
O deputado Arilson informou que os áudios recentes serão encaminhados aos órgãos competentes, como a Polícia Federal, o Ministério Público, a Procuradoria Regional Eleitoral, o Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos de controle, para análise técnica e jurídica.
“Nosso papel é institucional. Vamos adotar as providências cabíveis e acompanhar os desdobramentos. Transparência é o mínimo esperado”, afirmou.
Providências adotadas
Na semana do Natal, após a divulgação dos primeiros áudios, os deputados Arilson e Requião Filho (PDT) formalizaram representações junto à Polícia Federal, ao Ministério Público do Paraná, à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Tribunal de Contas do Estado e à Comissão de Valores Mobiliários. As manifestações pedem a abertura de procedimentos para verificar eventuais irregularidades eleitorais e administrativas, além das medidas legais cabíveis.
De forma paralela, os parlamentares encaminharam requerimento de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação, solicitando dados sobre contratos, nomeações, exonerações e ações adotadas pelo governo estadual diante das denúncias envolvendo a Sanepar.
foto: Deputado Arilson Chiorato (PT), Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná – Foto: Orlando Kissner/Alep




